Tuesday, July 07, 2009

Metáfora Faustínica

o mundo que venci deu-me uma flor
de lótus
que desafio incontinente de malícias
faíscas na linguagem relâmpagos do meu falo
salivas na minha fala
mesmo em silêncio não calo

por cima de qualquer sonho de grego
pro dentro de qualquer fosso complexo
o mundo que venci deu-me uma flor
de cactos
que o relógio do tem tempo não tem hora
troféu perigoso esse vassalo
em chão de céus infernos meus cavalos
amando a fátria que fariu língua senhora

Artur Gomes
In Brazilirica Pereira:
A Traição das Metáforas
http://braziliricas.blogspot.com

Thursday, July 02, 2009



Urbanidades
Mostra de Cine Vídeo Poesia
Curtas produzidos e dirigidos por Artur Gomes
Dia 4 julho das 14 às 15:00h
Local: Espaço Multimídia – Sesc Campos

LeminskiArte da Palavra Em Cena
Artur Gomes performance multimídia
Dia 10 julho 21:00h Belo Horizonte
Belô Poético veja programação aqui:
http://www.belopoetico.com/

Wednesday, July 01, 2009



lavra palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
quando a lavra explora
se é saudade dói
mas não demora
e sendo fauna
linda como a flora
lua luanda
vem não vá embora
se for poema
fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora


esta mulher por toda noite me inflama toma do meu corpo e me devora tem os frutos do pomar entre os teus cios e as algas de algum mar quando as amoras brotam como seixos nos teus rios

Jura Não secreta
p/ paulo leminski

quando a ciranda de roda
atravessou minha rua
com teus fogos de artifícios
pelos céus da tua boca

foi então que eu quis a lua
e disse então sem sabê-la
antes que ela me visse

e neste dia eu vi Alice
quando então ela me disse:
- foi neste chão que eu fiz Estrela


Lençóis de Renda

Eu
poderia abrir teu corpo
com os meus dentes
rasgar panos e sedas
desatar todos os nós
com as unhas arranhar os teus pudores
rasgando as rendas dos lençóis

perpetuar a ferro e fogo
minhas marcas no teu útero
meus desejos imorais
maldizendo a hora soberana
com a força sobre/humana dos mortais

quando vem me oferecer migalha e fruto
como quem dá de cumer aos animais


sagarânica

desejar-te
é uma arte
que cultivo
planta
quando canta
ou cala
quando fala
ou ri
desejar-te
é uma parte
que de mim
re-parte
parati


arturgomes


Tuesday, June 23, 2009










Riverdies Hoje No Teatro Odisséia
Dia 23 junho 20:00h
Rua Mem de Sá – Lapa – Rio de Janeiro

Alex Melch – vocal
Fil Buc – guitarra
Leo Graterol – guitarra
Gui Farizelli – baixo
Vítor - batera

Riverdies – Still Remans
http://www.youtube.com/watch?v=3k0FRyoPoKo&feature=channel_page

PátriA(r)mada

só me queira assim caçado
mestiço vadio latino
leão feroz cão danado
perturbando o teu destino

só me queira enfeitiçado
veloz macio felino
em pêlo nu depravado
em tua cama sol a pino

só me queira encapetado
profanando àqueles hinos
malandro moleque safado
depravando os teus meninos

só me queira desalmado
cão algoz e assassino
duplamente descarado
quando escrevo e não assino

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com/
Mamãe é Brega Mas é Xique
http://mamabrega.blogspot.com/




Friday, June 19, 2009


arte: fátima queiroz
Mataram a Poesia Artur
Gomes Jura Que Não Foi Ele


Um poema zil

ma
ma
a floresta
rala
as araras
raras
os papagaios
nada
quero descobrir a nova fala dentro das penas de um bem-te-vi
dentro
dentro as escamas de um peixe espada
no cio das onças tigres lontras javalis e leopardos
quero minha nova fala ma ma mata a dentro
mesmo quando urbano sempre urbano entro
em cada carne em cada pedra onde subo pau a pique
Nick
a pedra é rock
a pedra é toque
a pedra é barro duro
e triturada é pó
faz tempo muito tempo
que não ouço
joão Gilberto
e ando tão desafinado
que o dente lambe a fala
e escava a lavra nova
faz tempo muito tempo
que não falo ave palavra
ave profana
ave cio
que não vejo o arrepio
de um pássaro selvagem
logo pós o pós mergulho
em algum canto
do rio
essa selva estraçalhada
faz tempo muito tempo
que não vejo
em mim cidade
goytacazes
goyta city
que não vejo em alvoroço
alegria quando festa
quando farra fausto
sol de verão
poesia e primavera
tudo o que ja foi
já era
mesmo o hoje
uma quimera
uma espera
insana e falsa
de um presente
que não vem
de um futuro absinto
mas que saber o que sinto
nada sinto
sinto muito
quer dizer
eu muito minto
minto muito
tudo é pouco
e o buraco
quando esgoto
na urbanidade do que falo
com os dentes na ferida
aqui tem tudo
falta vida
e a poesia foi vendida
e o poema
foi pro ralo

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com/


Wednesday, June 17, 2009








Alucinações Interpo(É)ticas



o que é que mora em tua boca Bia?
um deus um anjo ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e um a estrela como guia?



o que é que arde em tua boca Bia?
azeite sal pimenta e alh
résteas de cebola
carne crua do kralho
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?



o que é que pulsa em tua boca Bia?
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rios de águas sujas
onde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca Bia?



Artur Gomes
In Fulinaíma Sax Blues Poesia
Couro Cru & Carne Viva
http://carnavalhagumes.blogspot.com/

Sunday, June 07, 2009



tanussi cardoso



A Time Goes By


Meu bem

Me chama de Humphrey Bogart

Que eu te conto Casablanca

Me tira esse sobretudo



Sobretudo, conta tudo

Que eu te dou uma rosa branca




Mas, meu bem

Me chama de Humphrey Bogart

Te dou carona em meu carro

Chevrolet – que sou bacana

Te levo, meu bem, pra cama

Fumamos nossa bagana


Te provo que sou sacana

Te faço toda a denguice



Te dispo que nem a Ingrid

Te dou filhos de montão

Só pra te ver sufocar



Mas me chama de Humphrey Bogart

Faço chover colorido

Como num bom musical

Te chamo de Lauren Bacall





Te danço, te canto, te mostro

Entre as pernas meu bom astral

Te deixo pro enxoval

Meu chapéu preto de gângster

Mil poemas de ninar

Só pra te ouvir sussurar



Como te amo meu Humphrey Bogart!





quando o primeiro amor morreu

eu disse: morri


quando meu pai se foi

coração descontrolado

eu disse: morri

quando as irmãs mortas

a tia morta

eu disse: morri

depois, a avó do Norte

os amigos da sorte

os primos perdidos

o pequinês, o siamês

morri, morri


estou vivo

a poesia pulsa

a natureza explode

o amor me beija na boca


um Deus insiste que sim

sei não

acho que só vou morrer

depois de mim



Chorando sobre um Poema

(lendo "Sob a Espada")

Para Ferreira Gullar

Debruço-me sobre o livro:

o poema invade olhos, tecidos.


Vozes.

Que espada mais aguda

que o eco de seu som?


Que fogo mais forte crepita

eternoa

lém da paixão?


A palavra

viva

transcende a sua hora.


Sempre

é tempo

que não nasceu.


E o poeta é só

um homem

dentro

de Deus.



Substantivos

Faca é faca

Pão é pão

Fome é fome

Amor é amor


Estranho desígnio das coisas

De serem exatamente elas

Quando as olhamos sem paixão


A Hora Absoluta

Estranhos

meus mortos abrem as janelas

penetram em meu quarto

e me sufocam.


Insinuantes

me beijam e sangram em mim

alegrias e pecados

acariciando, sem pudor

meus sonhos, minhas partes

e meus ossos.


Meus mortos e seus gemidos

têm rostos, sinais

e olhos que fagulham calafrios.


Ousados

vêm no breu do sono

e debruçam sobre meu corpo

silentes e queridos

e rezam

e choram por mim

como a lua clamando

sua outra metade

como um espelho

colando os próprios vidros.


Meus mortos sem censura

meus delicados mortos

que, à noite, penteiam meus cabelos

e, solidários, preparam o meu jardim.



Teias


Alimentar aranhas,

eis o meu ofício.


Deixá-las criar tentáculos.


Moscas mansas

apaixonadamente sangrar.


Cuidá-las para tecer

os pequenos vícios

do seu tear: venenos sutis:

tatos improváveis- vivê-las.


Redescobrir as cores

as sedes e as sedas.


As sendas do meu destino

nelas entrelaçar: véus de astúcia:

morte e viuvez.


Decifrar sua dança: rede de valsas:

fios de arame.


Aprender com elas


o ritmo do salto.



Cilada


O amor não é a lua

iluminando o arco-íris

nem a estrela-guia

mirando o oceano


O amor não é o vinho

embebedando lençóis

nem o beijo louco

na boca úmida do dia


O amor não é a vitória

dos navios e dos barcos

nem a paz cavalgando

cavalos alados


O amor é, sobretudo

a faca no laço do laçador

O amor é, exatamente

o tiro no peito do matador


Asas


A dor não tem dó

Anda garbosa ao seu lado

e ao primeiro nada

morde o pescoço

nega o beijo, o desejo: cilada.


A dor não tem dó

Gordura no peito

nos pêlos, na pele

câncer, tuberculose

infarto, embolia: overdose.


A dor não tem dó

Viúva assanhada

corte sem faca

volta sempre ao seu morto

lesma de vidro: visgo de jaca


Tanussi Cardoso